segunda-feira, 10 de setembro de 2012







 15ª Hora


                            Em carne viva, latente
                            Pela austeridade da vida
                            Vejo as gerações mais à frente
                            Sofrerem por causa da dívida


                            Futuro sem horizonte
                            Névoa em codas de chicote
                            Morrem em água de fonte
                            Nos artifícios do calote


                            Viajar nos acontecimentos
                            É o melhor que pode acontecer
                            Se lúcidos nos mantimentos
                            Embora haja nada que comer


                            Celebra um nada desespero
                            Em vomitante comiseração
                            Como cloaca em exaspero
                            Surge nova civilização.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012





14 ª Hora




Papá, diz, onde vamos
Eu quero ir brincar
Ao diz que diz, sirvamos
Aquilo que nos faz brilhar


Tudo nos vem de rompante
Lá para a frente do existir
E só fica o que nos cai na mente
Na sombra, obscuro a reluzir


Papá, que horas são?
Anda papá, vamos brincar
Traz o cegueta do Rafa, traz o cão
Para a cena acriançar


Oito anos apenas, tão leves
Asas esvoaçam das mariposas
Em cujas vidas tão breves
Retinam sem fim as glosas.
   

sexta-feira, 10 de agosto de 2012









6 ª Hora

Queria como os antigos gregos
Dar testemunho da progenitura
E viver sempre como sôfregos
Porque isso é que é natura


 Ser a regra do existir implícito
Que marca o horário da vida
Para que o beneplácito
Dê crença à dúvida


É nosso herói, nossa fraqueza
Luz que nos relança o alcance
De sermos sem vileza
O melhor da nossa performance


Esse vaso de cultura que extrapassa
O tempo milenar dando fruto
Na oriunda questão que nos ultrapassa
Ser com os demais usufruto.


  

quarta-feira, 13 de junho de 2012




1514,

 João Gonçalves, descobre um filão
Onde pode ficar eternamente rico,
como um cristão Que promove a emancipação dos outros, de aluvião
Começa o tráfico da escravidão
Logo iniciaram as feitorias de arregimentar
A Pátria próxima da família que convém progenitar
À laia de bastardos consanguineamente datar
A herança que vindoura há-de procriar
Assim religiosamente entendem deter
Toda a finança de transmutação obte
r Para superiormente dos outros ser
A fausta vida do que faz sofrer
E os homens pobres conseguem sobrepor
Como diáfano manto de intrínseca dor
João Gonçalves só o quis,
 por amor De quem de si era senhor…

Januário 15-10-2011

domingo, 26 de fevereiro de 2012

1383



1383.

Olhai mas vêde.  A precariedade
De quem o encómio tem de dar a outros
O que não tem para si, o fogo
Retinido em todos os sentidos

Agora debaixo da alvorada dos povos
O demiurgo afigura-se como uma pessoa comum
Que sofre o espaldar do inumano
Abraça o mito no coração

E sofre só, as agruras desta vida
Sem nunca soçobrar à indizível mentira
De que somos multidão, mas sim indivíduos
A quem o mundo reflecte

E deriva, consequentemente de nós
Verdadeiros paladinos do amanhã
Em que mais iguais seremos
Pelo mito transmutados no devir.


Januário 16-10-2011

domingo, 6 de novembro de 2011

quarta-feira, 20 de julho de 2011

ultraverbum


Sobre o mistério das coisas incertas, muitas coisas certas acontecem
No uivar constante do contido, a ventura não acontece ao herói
Nem vicissitudes deslumbram o otário da legislação, que mudo cobra o imposto
Da subserviência cega, que a todo o lado congemina a dúvida sobre o altar
E bifurca dois caminhos que todos conhecem como o mal e o bem
Para onde recônditos se escondem cozinhando as vésperas em lume brando
Numa azáfama predisposta a sorrir ao ditame que se incorpora
Na carne do suicidário como uma lepra vomitada sobre o outrem
Como algo escleroso que dormita connosco desde sempre
E nos dita o destino, assimilando o humano que resta da dizimação do quotidiano
Entre a barbárie que se instalou no jurídico, resta, indómita a única liberdade,
A morte.

Januário 15-05-2011