quinta-feira, 4 de outubro de 2012









               21ª Hora

 

 

        Luze a mente em diáspora
        O tergiversar constante
        Que abre a caixa de pandora
        E a torna beligerante

 

        Em domínios celestiais
        Viaja criando planisférios
        Por entre astros e portais
        Deixa a semente de mistérios

 

        Caleidoscópicas miríades
        Latejam no substrato
        Por altura das Plêiades
        Buscando o desiderato

 

        Em alucinações paranormais
        Do corpo e da alma
        Vivências supranormais
        Horizontes sem vivalma?

 

sexta-feira, 28 de setembro de 2012





               20 ª Hora

No país da cunha
Cheio de pensionistas
Em brados de alcunha
Surgem como abolicionistas
Querem cama para deitar
Querem mesa para comer
Mas não querem trabalhar
Nem que ir buscar o ter
Só a família conta
Mal ou bem, só o sangue
Nos justifica, e afronta
E nos torna exangue
E assim povo não cauciona
O E pluribus unum
Causa que revoluciona
O filho de Deum unum.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012







 15ª Hora


                            Em carne viva, latente
                            Pela austeridade da vida
                            Vejo as gerações mais à frente
                            Sofrerem por causa da dívida


                            Futuro sem horizonte
                            Névoa em codas de chicote
                            Morrem em água de fonte
                            Nos artifícios do calote


                            Viajar nos acontecimentos
                            É o melhor que pode acontecer
                            Se lúcidos nos mantimentos
                            Embora haja nada que comer


                            Celebra um nada desespero
                            Em vomitante comiseração
                            Como cloaca em exaspero
                            Surge nova civilização.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012





14 ª Hora




Papá, diz, onde vamos
Eu quero ir brincar
Ao diz que diz, sirvamos
Aquilo que nos faz brilhar


Tudo nos vem de rompante
Lá para a frente do existir
E só fica o que nos cai na mente
Na sombra, obscuro a reluzir


Papá, que horas são?
Anda papá, vamos brincar
Traz o cegueta do Rafa, traz o cão
Para a cena acriançar


Oito anos apenas, tão leves
Asas esvoaçam das mariposas
Em cujas vidas tão breves
Retinam sem fim as glosas.
   

sexta-feira, 10 de agosto de 2012









6 ª Hora

Queria como os antigos gregos
Dar testemunho da progenitura
E viver sempre como sôfregos
Porque isso é que é natura


 Ser a regra do existir implícito
Que marca o horário da vida
Para que o beneplácito
Dê crença à dúvida


É nosso herói, nossa fraqueza
Luz que nos relança o alcance
De sermos sem vileza
O melhor da nossa performance


Esse vaso de cultura que extrapassa
O tempo milenar dando fruto
Na oriunda questão que nos ultrapassa
Ser com os demais usufruto.


  

quarta-feira, 13 de junho de 2012




1514,

 João Gonçalves, descobre um filão
Onde pode ficar eternamente rico,
como um cristão Que promove a emancipação dos outros, de aluvião
Começa o tráfico da escravidão
Logo iniciaram as feitorias de arregimentar
A Pátria próxima da família que convém progenitar
À laia de bastardos consanguineamente datar
A herança que vindoura há-de procriar
Assim religiosamente entendem deter
Toda a finança de transmutação obte
r Para superiormente dos outros ser
A fausta vida do que faz sofrer
E os homens pobres conseguem sobrepor
Como diáfano manto de intrínseca dor
João Gonçalves só o quis,
 por amor De quem de si era senhor…

Januário 15-10-2011

domingo, 26 de fevereiro de 2012

1383



1383.

Olhai mas vêde.  A precariedade
De quem o encómio tem de dar a outros
O que não tem para si, o fogo
Retinido em todos os sentidos

Agora debaixo da alvorada dos povos
O demiurgo afigura-se como uma pessoa comum
Que sofre o espaldar do inumano
Abraça o mito no coração

E sofre só, as agruras desta vida
Sem nunca soçobrar à indizível mentira
De que somos multidão, mas sim indivíduos
A quem o mundo reflecte

E deriva, consequentemente de nós
Verdadeiros paladinos do amanhã
Em que mais iguais seremos
Pelo mito transmutados no devir.


Januário 16-10-2011