quinta-feira, 30 de agosto de 2012





14 ª Hora




Papá, diz, onde vamos
Eu quero ir brincar
Ao diz que diz, sirvamos
Aquilo que nos faz brilhar


Tudo nos vem de rompante
Lá para a frente do existir
E só fica o que nos cai na mente
Na sombra, obscuro a reluzir


Papá, que horas são?
Anda papá, vamos brincar
Traz o cegueta do Rafa, traz o cão
Para a cena acriançar


Oito anos apenas, tão leves
Asas esvoaçam das mariposas
Em cujas vidas tão breves
Retinam sem fim as glosas.
   

sexta-feira, 10 de agosto de 2012









6 ª Hora

Queria como os antigos gregos
Dar testemunho da progenitura
E viver sempre como sôfregos
Porque isso é que é natura


 Ser a regra do existir implícito
Que marca o horário da vida
Para que o beneplácito
Dê crença à dúvida


É nosso herói, nossa fraqueza
Luz que nos relança o alcance
De sermos sem vileza
O melhor da nossa performance


Esse vaso de cultura que extrapassa
O tempo milenar dando fruto
Na oriunda questão que nos ultrapassa
Ser com os demais usufruto.


  

quarta-feira, 13 de junho de 2012




1514,

 João Gonçalves, descobre um filão
Onde pode ficar eternamente rico,
como um cristão Que promove a emancipação dos outros, de aluvião
Começa o tráfico da escravidão
Logo iniciaram as feitorias de arregimentar
A Pátria próxima da família que convém progenitar
À laia de bastardos consanguineamente datar
A herança que vindoura há-de procriar
Assim religiosamente entendem deter
Toda a finança de transmutação obte
r Para superiormente dos outros ser
A fausta vida do que faz sofrer
E os homens pobres conseguem sobrepor
Como diáfano manto de intrínseca dor
João Gonçalves só o quis,
 por amor De quem de si era senhor…

Januário 15-10-2011

domingo, 26 de fevereiro de 2012

1383



1383.

Olhai mas vêde.  A precariedade
De quem o encómio tem de dar a outros
O que não tem para si, o fogo
Retinido em todos os sentidos

Agora debaixo da alvorada dos povos
O demiurgo afigura-se como uma pessoa comum
Que sofre o espaldar do inumano
Abraça o mito no coração

E sofre só, as agruras desta vida
Sem nunca soçobrar à indizível mentira
De que somos multidão, mas sim indivíduos
A quem o mundo reflecte

E deriva, consequentemente de nós
Verdadeiros paladinos do amanhã
Em que mais iguais seremos
Pelo mito transmutados no devir.


Januário 16-10-2011

domingo, 6 de novembro de 2011

quarta-feira, 20 de julho de 2011

ultraverbum


Sobre o mistério das coisas incertas, muitas coisas certas acontecem
No uivar constante do contido, a ventura não acontece ao herói
Nem vicissitudes deslumbram o otário da legislação, que mudo cobra o imposto
Da subserviência cega, que a todo o lado congemina a dúvida sobre o altar
E bifurca dois caminhos que todos conhecem como o mal e o bem
Para onde recônditos se escondem cozinhando as vésperas em lume brando
Numa azáfama predisposta a sorrir ao ditame que se incorpora
Na carne do suicidário como uma lepra vomitada sobre o outrem
Como algo escleroso que dormita connosco desde sempre
E nos dita o destino, assimilando o humano que resta da dizimação do quotidiano
Entre a barbárie que se instalou no jurídico, resta, indómita a única liberdade,
A morte.

Januário 15-05-2011

sábado, 15 de janeiro de 2011

alix

ALIX DESGARDES


Pousam teus restos abandonados em cemitério de prazeres
Tu que da França vieste ensinar a moda do charme dos franceses
Aos indígenas residentes, ensinastes o savoir faire e o glamour
Disponível e paciente aos jovens cheios de fervor

Serias loura de pele trigueira ou ruiva incandescente
Terna nos gestos, circunspecta nas atitudes
Bela como um por de sol, no acaso iridescente
Semeavas simpatia por perturbantes ilicitudes.



Januário

28-05-2010