terça-feira, 3 de novembro de 2009

Casa da Ínsua - 31-10 a 2-11-009











Num domingo outonal em terras beirãs,
no palacete dos Albuquerques, perdido e encontrado no tempo,
aqui estamos nós os três no 1º andar da abegoaria,
a apreciar a chuva que cai entre os plátanos, os paus brasil e as sequoias.

Retrato registado na tarde de 1 de novembro de 2009

domingo, 27 de setembro de 2009

Canção pseudo-proletária


Canção pseudoproletária (pós-proletária, neo-libertária)





O trabalhador por conta de outrém
É um desgraçado
Rouba-nos o patrão
Rouba-nos o estado
E ficamos sem vintém
Sem tostão


Encurralados cumprimos o horário
Para além do escrupuloso
Das regras somos abecedário
Do sistema servidores
Amamos da vida o doloroso
Amordaçar das dores


E só resta regressar a casa
Com um grão na asa
Para arregimentar a parceira
Ferida de tanta guerra
Na mesma pasmaceira
De quem vive na terra


O trabalhador por conta de outrém
É um desgraçado
Rouba-nos o patrão
Rouba-nos o estado
E ficamos sem vintém
Sem tostão.




Januário

30/06/01

terça-feira, 21 de julho de 2009

Alcance



Como pedra trabalhada, assim é o espírito
Recomeçando pelas contrariedades do devir constante
Sublimando-se na agonia do imediato
Em alta voz libertando os cães da raiva
Entreabrindo o sarcasmo da condescendência
Por cuja fresta inversa observamos os pássaros da nossa herança
Ali no travesseiro que está na base da árvore da vida
Sonhamos o livre arbítrio, a plena felicidade, de alcançar, de alcançar…



Januário

16-07-09

sábado, 30 de maio de 2009

Rafa


Rafa



Tem na génese o mar e os calores do sul,
E no olhar uma cândida ternura
Todo ele é de pêlo preto-azul
E por demais atiçado não reage com mordedura


Fiel amigo, como nenhum humano
Sempre presente a seu dono
Cuja idolatria roça o insano
Em vigília permanente sem sono


Afável e doce companheiro
Brincalhão sempre disposto
Aos jogos prazenteiro
Correndo e saltando com gosto


Levado da breca, é um cão
Ao mesmo tempo doce e impossível
É uma espécie de ovelha-leão
Pescador de afectos incorrigível.




Januário

15-05-09

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Zapping


Haja sobre o sortilégio a praxis da aceitação
Que purifica o extremo que está nas antípodas
Cuja luz interfere sobre o abismo das idiossincrasias
Por cima do amarelo das tardes ensanguentadas de betão
Em que obscuramente são ditas as regras da sobrevivência
No reclame das insidiosas maledicências sexistas
E nós sobre o espaldar da identidade côncava
Repetimos a idolatria dos nossos antepassados
Mergulhando na mais obscura dissidência
Aprazemo-nos em retirar ao dia algumas horas
De pura anorexia para ser apenas um entre demais
Volantes e efémeros viandantes que se cruzam
Nos corpos que dialecticamente instauram
O pressuposto da resignação.





Januário

20-05-09

Balada da triste-feia


Balada da Triste-feia






Sonho de amor profundo
Enchia seu lindo coração
E por isso carregava o mundo
De malfadada aflição

E logo lhe lembravam
O ar triste e escabroso
Que à pobre desdenhavam
O querer um elegante moço


Por isso no beco vivia serena
Entre paredes sufocantes
E só a morte dela tinha pena
Levando-a a outros amantes.



Januário

08-05-09

domingo, 17 de maio de 2009

Balada do Fala-só


Balada do Fala-só




Pela rua seguia cantando
Suas maleitas e impropérios
E por quem se cruzava andando
Perguntava seus mistérios

Quem sois, e onde vais
Por esse caminho distante
Quer busques terras de jamais
Quer fiques aqui, exasperante


Seduz tua fala com malícia
Os viandantes que transitam
Por entre olhares de carícia
As feras dúvidas imitam


Por isso falava só
Consigo mesmo o amigo
O múltiplo de tanto dó
À mágica luz unido.




Januário

15-05-09