quinta-feira, 5 de novembro de 2009
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Casa da Ínsua - 31-10 a 2-11-009
domingo, 27 de setembro de 2009
Canção pseudo-proletária

Canção pseudoproletária (pós-proletária, neo-libertária)
O trabalhador por conta de outrém
É um desgraçado
Rouba-nos o patrão
Rouba-nos o estado
E ficamos sem vintém
Sem tostão
Encurralados cumprimos o horário
Para além do escrupuloso
Das regras somos abecedário
Do sistema servidores
Amamos da vida o doloroso
Amordaçar das dores
E só resta regressar a casa
Com um grão na asa
Para arregimentar a parceira
Ferida de tanta guerra
Na mesma pasmaceira
De quem vive na terra
O trabalhador por conta de outrém
É um desgraçado
Rouba-nos o patrão
Rouba-nos o estado
E ficamos sem vintém
Sem tostão.
Januário
30/06/01
terça-feira, 21 de julho de 2009
Alcance

Como pedra trabalhada, assim é o espírito
Recomeçando pelas contrariedades do devir constante
Sublimando-se na agonia do imediato
Em alta voz libertando os cães da raiva
Entreabrindo o sarcasmo da condescendência
Por cuja fresta inversa observamos os pássaros da nossa herança
Ali no travesseiro que está na base da árvore da vida
Sonhamos o livre arbítrio, a plena felicidade, de alcançar, de alcançar…
Januário
16-07-09
sábado, 30 de maio de 2009
Rafa
Rafa
Tem na génese o mar e os calores do sul,
E no olhar uma cândida ternura
Todo ele é de pêlo preto-azul
E por demais atiçado não reage com mordedura
Fiel amigo, como nenhum humano
Sempre presente a seu dono
Cuja idolatria roça o insano
Em vigília permanente sem sono
Afável e doce companheiro
Brincalhão sempre disposto
Aos jogos prazenteiro
Correndo e saltando com gosto
Levado da breca, é um cão
Ao mesmo tempo doce e impossível
É uma espécie de ovelha-leão
Pescador de afectos incorrigível.
Januário
15-05-09
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Zapping

Haja sobre o sortilégio a praxis da aceitação
Que purifica o extremo que está nas antípodas
Cuja luz interfere sobre o abismo das idiossincrasias
Por cima do amarelo das tardes ensanguentadas de betão
Em que obscuramente são ditas as regras da sobrevivência
No reclame das insidiosas maledicências sexistas
E nós sobre o espaldar da identidade côncava
Repetimos a idolatria dos nossos antepassados
Mergulhando na mais obscura dissidência
Aprazemo-nos em retirar ao dia algumas horas
De pura anorexia para ser apenas um entre demais
Volantes e efémeros viandantes que se cruzam
Nos corpos que dialecticamente instauram
O pressuposto da resignação.
Januário
20-05-09
Balada da triste-feia
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Balada da Triste-feia
Sonho de amor profundo
Enchia seu lindo coração
E por isso carregava o mundo
De malfadada aflição
E logo lhe lembravam
O ar triste e escabroso
Que à pobre desdenhavam
O querer um elegante moço
Por isso no beco vivia serena
Entre paredes sufocantes
E só a morte dela tinha pena
Levando-a a outros amantes.
Januário
08-05-09
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