domingo, 26 de fevereiro de 2012
1383
1383.
Olhai mas vêde. A precariedade
De quem o encómio tem de dar a outros
O que não tem para si, o fogo
Retinido em todos os sentidos
Agora debaixo da alvorada dos povos
O demiurgo afigura-se como uma pessoa comum
Que sofre o espaldar do inumano
Abraça o mito no coração
E sofre só, as agruras desta vida
Sem nunca soçobrar à indizível mentira
De que somos multidão, mas sim indivíduos
A quem o mundo reflecte
E deriva, consequentemente de nós
Verdadeiros paladinos do amanhã
Em que mais iguais seremos
Pelo mito transmutados no devir.
Januário 16-10-2011
domingo, 6 de novembro de 2011
quarta-feira, 20 de julho de 2011
ultraverbum
Sobre o mistério das coisas incertas, muitas coisas certas acontecem
No uivar constante do contido, a ventura não acontece ao herói
Nem vicissitudes deslumbram o otário da legislação, que mudo cobra o imposto
Da subserviência cega, que a todo o lado congemina a dúvida sobre o altar
E bifurca dois caminhos que todos conhecem como o mal e o bem
Para onde recônditos se escondem cozinhando as vésperas em lume brando
Numa azáfama predisposta a sorrir ao ditame que se incorpora
Na carne do suicidário como uma lepra vomitada sobre o outrem
Como algo escleroso que dormita connosco desde sempre
E nos dita o destino, assimilando o humano que resta da dizimação do quotidiano
Entre a barbárie que se instalou no jurídico, resta, indómita a única liberdade,
A morte.
Januário 15-05-2011
sábado, 15 de janeiro de 2011
alix
ALIX DESGARDES
Pousam teus restos abandonados em cemitério de prazeres
Tu que da França vieste ensinar a moda do charme dos franceses
Aos indígenas residentes, ensinastes o savoir faire e o glamour
Disponível e paciente aos jovens cheios de fervor
Serias loura de pele trigueira ou ruiva incandescente
Terna nos gestos, circunspecta nas atitudes
Bela como um por de sol, no acaso iridescente
Semeavas simpatia por perturbantes ilicitudes.
Januário
28-05-2010
Pousam teus restos abandonados em cemitério de prazeres
Tu que da França vieste ensinar a moda do charme dos franceses
Aos indígenas residentes, ensinastes o savoir faire e o glamour
Disponível e paciente aos jovens cheios de fervor
Serias loura de pele trigueira ou ruiva incandescente
Terna nos gestos, circunspecta nas atitudes
Bela como um por de sol, no acaso iridescente
Semeavas simpatia por perturbantes ilicitudes.
Januário
28-05-2010
post
Somos como animais em jaulas na cidade
Atónitos pelo vazio que vivemos
Sem vislumbre de dor ou piedade
Permanecendo sitiados até morrermos
Na circunstância existimos como iguais
Mas a humana lei coloca-nos divergências
Sem olhar aos divinos sinais
Sombreadas luzes das aparências
Atónitos pelo vazio que vivemos
Sem vislumbre de dor ou piedade
Permanecendo sitiados até morrermos
Na circunstância existimos como iguais
Mas a humana lei coloca-nos divergências
Sem olhar aos divinos sinais
Sombreadas luzes das aparências
domingo, 7 de novembro de 2010
oração de papel de jornal
Oração de papel de jornal
Ando neste mundo para inquietar os outros
De perturbação e fascínio
A reportagem do massacre
Duma dívida sobre o futuro
Cinco minutos de tiros, pânico e morte
Quem reagiu, condenou
A multiplicação
De verba para crescer
Dois monstros
Num fabuloso mano a mano
Contei 46 corpos
A pena capital
Sete gigantes
Dos contratos individuais
Da casa da sorte
A ideia era eliminarem-nos a todos
O ilustre desconhecido
Portugal ainda à espera
Porque dinheiro é caro
Reforço de poder
Leva a morte muito perto de Lisboa na melhor zona residencial de
Caxias
Com varandas viradas para o mar
Com garagem individual ou parqueamento colectivo
Subsiste o conflito
Ninguém conhece o nosso mundo melhor do que nós
Se gosta de ser diferente lembre-se que o seu
1º prémio é um Renault 5 e férias em Tróia
entre duas tenazes
já chegou o tempo do computador trabalhar para si
use o ás certo para ganhar
a antropologia do simbólico mal e companhia
e depois a moral uma agência de serviço completo
da solidão e das privações
super vantagens na tarifa
nova esquerda, o esplendor do século
inscrições abertas em centrais de natureza perdida
reconstruímos de novo
o pilar do seu investimento
é loucura premiarmos as pessoas só porque são nunca
já chegámos, conte connosco.
Januário
23/7/83
Januário
Ando neste mundo para inquietar os outros
De perturbação e fascínio
A reportagem do massacre
Duma dívida sobre o futuro
Cinco minutos de tiros, pânico e morte
Quem reagiu, condenou
A multiplicação
De verba para crescer
Dois monstros
Num fabuloso mano a mano
Contei 46 corpos
A pena capital
Sete gigantes
Dos contratos individuais
Da casa da sorte
A ideia era eliminarem-nos a todos
O ilustre desconhecido
Portugal ainda à espera
Porque dinheiro é caro
Reforço de poder
Leva a morte muito perto de Lisboa na melhor zona residencial de
Caxias
Com varandas viradas para o mar
Com garagem individual ou parqueamento colectivo
Subsiste o conflito
Ninguém conhece o nosso mundo melhor do que nós
Se gosta de ser diferente lembre-se que o seu
1º prémio é um Renault 5 e férias em Tróia
entre duas tenazes
já chegou o tempo do computador trabalhar para si
use o ás certo para ganhar
a antropologia do simbólico mal e companhia
e depois a moral uma agência de serviço completo
da solidão e das privações
super vantagens na tarifa
nova esquerda, o esplendor do século
inscrições abertas em centrais de natureza perdida
reconstruímos de novo
o pilar do seu investimento
é loucura premiarmos as pessoas só porque são nunca
já chegámos, conte connosco.
Januário
23/7/83
Januário
étereo
Etéreo
Balofo de ares e alheio
À esquina roçando o meio
Esdrúxula testa afinca
O olhar súbito que trinca
Imperial vicio que domina
A noite chega o dia culmina
Tretas, minerais chocos, podres
Caras nas vacinas dos odres
Reduz-se e atina enxerga de ócio
Poses mágicas de alheamento ósseo
Esqueletam-se sistemas, confins
Abstracções dispostas das luzes ruins
Climas saturados de ambiente
O caudal imenso de gente
Para onde se dirigem? Destino,
Em ti tocam todas as coisas como um sino
De aldeia, o acolher do povo
À comunhão, à ascese do novo.
Januário
4/6/83
Balofo de ares e alheio
À esquina roçando o meio
Esdrúxula testa afinca
O olhar súbito que trinca
Imperial vicio que domina
A noite chega o dia culmina
Tretas, minerais chocos, podres
Caras nas vacinas dos odres
Reduz-se e atina enxerga de ócio
Poses mágicas de alheamento ósseo
Esqueletam-se sistemas, confins
Abstracções dispostas das luzes ruins
Climas saturados de ambiente
O caudal imenso de gente
Para onde se dirigem? Destino,
Em ti tocam todas as coisas como um sino
De aldeia, o acolher do povo
À comunhão, à ascese do novo.
Januário
4/6/83
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